domingo, 27 de maio de 2012

Atlético 1 x 0 Corinthians

Sheik e Paulinho eram desfalques importantes. Apesar disso, até o gol do Atlético em uma falha bisonha da zaga, achei que o Corinthians fazia até uma partida razoável. Impunha o ritmo de jogo, mantia posse de bola no ataque (apesar do jogo tão truncado, fruto da fraquíssima arbitragem). Se não era perigoso, também sofria pouco, e teve as 3 melhores chances de gols (2 com Willian, 1 com Elton). Após o gol, o Galo aproveitou o entusiasmo e o time perdeu a organização. As mexidas não surgiram muito efeito e o jogo se arrastou até o final. Pouco a acrescentar; se é difícil para a torcida se concentrar em um jogo desse, com uma semi-final histórica de Liberta a caminho, imagino para os jogadores (em tempo: Santos empatou em casa com o Sport...).
- Dentro da coerencibilidade do Tite, Willian Arão devia ser o primeiro da lista, estando Edenilson e Ramirez fora. Depois da horrenda partida que fez hoje (somada à outra péssima partida que fez no paulista), deve ter perdido o lugar na fila. Na próxima oportunidade, entra outro da base, como o Anderson.
- Achei a partida do Elton interessante. Entenda-se: não esperava absolutamente nada dele, e apesar do gol feitíssimo que perdeu, acho que fez o pivô em alguns lances e teve uma movimentação interessante. Com Liedson fora de jogo, é preciso saber se temos um centroavante capaz de exercer certas funções, mesmo que limitadíssimo. Eu testaria mais vezes.
- que arbitragem horrível. Juiz não deixou o jogo fluir, e logo os jogadores (principalmente do galo) perceberam isso e começaram a cair a qualquer toque. Depois se perdeu no critérios das faltas e dos cartões. Muito ruim mesmo.
- O jogo já se aproximava do final e eu não estava nem aí. Mas só a atitude geral do Galo conseguiu me deixar p*to...eita timinho pequeno, bem ao estilo Cuca chorão de ser. Poucas coisas que me deixam tão irritados no futebol quanto jogador que simula que  o lance foi muito mais doloroso do que realmente foi. E os jogadores do Galo fizeram isso o tempo todo. Reclamavam com o árbitro em qualquer lance; até bola jogada em campo teve no final, e aquela disputa de bola ao chão foi simplesmente ridícula.

sábado, 26 de maio de 2012

Em que estádio?

Claro que falo dos jogos da libertadores contra o Santos.
 
Eu acho que por questões políticas o Corinthians não deveria NUNCA MAIS mandar jogos no Morumbi. A decisão de Andres, mantida por Gobbi, é acertadíssima. Mas considerando que boa parte dos jornalistas "não concorda" (para ser benévolo com eles) com essa questão política e entenda que o Morumbi devesse ser considerado como opção, vamos lá.
 
Questões técnicas.
 
Para o Corinthians, no aspecto técnico, todas as considerações indicam que se jogue no Pacaembu. Hà pelo menos 5 anos o Corinthians tem um desempenho excelente no Pacaembu; os números indicam que o Corinthians é sempre no mínimo o segundo melhor mandante dos campeonatos em que participa - quando não é o primeiro. Nessa libertadores, em especial, foram 5 jogos, 5 vitórias, 13 gols feitos, nenhum sofrido. Isso - o Corinthians ainda não tomou gol no Pacaembu nessa competição, que aliás tem o critério de gol fora como desempate. Em entrevistas diversos jogadors já apontaram as difrenças de jogar em casa que independem da torcida (referências do gramado, saber de cor os espaços do campo etc). Essa diferença técnica não tem preço em uma competição importante como a Libertadores.
 
Um acordo "dois jogos no Morumbi" flexibilizaria o fator "pressão da torcida", que seria muito mais forte na situação 1 jogo na vila x 1 jogo no Paca. Pro Corinthians esse fator é mais importante; é muito menos assustador jogar contra o Santos na Vila (no sentido de que a dificuldade de jogar contra o Santos não vem do estádio em si) do que jogar contra o Corinthians no Pacaembu. Vide recente pesquisa com os jogadores sobre "que torcida empurra mais".
 
Os times de alguma qualidade que vem jogar com o Santos na Vila tem criado dificuldades ofensivas para o Santos. A Vila é um campo pequeno, onde é muito mais fácil criar um ferrolho difícil de se passar e sair rapidamente no contrataque. No Morumbi você dá muito espaço para Neymar correr e dificulta muito a sua marcação. Um acordo de 2 jogos no Morumbi dá campo pro Neymar jogar nos 2 jogos. Por outro lado, o Corinthians é um time com dificuldads de sair rapidamente no contrataque e teria dificuldades de manter a bola no ataque quando retomasse a bola em sua defesa.
 
Questões financeiras e outras
 
Financeiramente, a receita de jogos no Morumbi seria certamente maior. Mas não seria tão maior...o público pularia de 40 para 60 mil; mas o ticket médio cobrado no Paca é maior, primeiro porque o aumento de público é majoritariamente de arquibancada (preços mais baixos), depois porque nos ingressos mais caros as pessoas estão muito mais dispostas a pagar caro para ver um jogo no pacaembu (acesso mais fácil, visão de jogo) do que no Morumbi. Além disso, o aluguel cobrado pelo clube da Vila Leonor é mais alto do que o da prefeitura. Na ponta do lápis, a diferença de renda não seria muito grande.
 
Outro ponto é a questão da distribuição de ingressos e programa fiel torcedor. O Santos teve problemas quando mandou a final do paulista no Morumbi; criou desgaste em um já desgastado programa de fidelidade (socio rei). Nos últimos 2 jogos em casa pela Libertadores houve reclamações do fiel torcedor corinthiano. Mandar o jogo no Morumbi nesse curto espaço de tempo criaria uma baita dificuldade de venda de ingressos pelo programa, sem internet, com confusão de setores. É um problema a ser considerado.
 
Ou seja, mesmo se desconsiderada a questão política (que, repito, não deveria ser desconsiderada), não faz o menor sentido para o Corinthians mandar o seu jogo no Morumbi. Jornalistas que propõe isso ou não fizeram a menor análise do caso ou não resistem à vontade quase compulsiva de aderir a um certo ponto de vista da política futebolística paulista. Conclusão: segundo jogo é no Paca. O primeiro o Santos que mande onde quiser.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quem tem medo do Sant.. (ops!), de Neymar?

É claro que eu preferia o Velez. Mas sendo o Santos o nosso adversário - o tão falado e baladalado - cabe agora uma análise do que podemos esperar.
 
Primeira pergunta que se faz necessária: o Santos é só Neymar?
 
O Santos é basicamente Neymar e, de vez em quando, Ganso (Ganso não joga contra nós). E não falo isso como demérito, porque Neymar é um baita jogador decisivo e que joga quase todo jogo, dado que não se machuca nem é suspenso. Mas uma análise tática precisa considerar esse fato. O Velez, sexto colocado do argentino e tremendamente desfalcado, anulou Neymar e só não se classificou pela conjunção de circunstâncias que as vezes acontece em mata-matas. A dupla de zaga é, com otimismo, mediana. Nas laterais tem um improviso de um lado e do outro  um lateral que, se não tem comprometido, está longe de ser brilhante. O meio-campo chega a ser inferior a de outros clubes brasileiros: Ralf é melhor que Adriano, Paulinho é melhor que Arouca, Elano não joga bola há 2 anos. No ataque, embora tenha jogado bem, Kardec tomou a vaga de Borges menos por qualidade técnica e mais por disposição tática. Um time moderno de futebol não pode ter mais de 1 jogador que não marca. Em quase todos os times, essa "não função" é do centroavante. No Santos, ela é do Neymar. Daí, tchau Borges e bem-vindo Kardec, que compõe melhor. A grande diferença é mesmo Neymar, que ganhou uma libertadores quase sozinho pro Santos (não é pouca coisa).
 
E dá pra parar Neymar?
 
Todo time das Américas que joga contra o SAntos precisa pensar sua disposição tática com o primeiro objetivo de não deixar Neymar jogar. Alguns times já desenvolveram uma marcação muito interessante. O fraquíssimo The Strongest, quase eliminado, causou muita dificuldade pro Santos na Vila. Já citei os 2 jogos contra o Vélez. Mas antes de falar de tática, falemos de História. Neymar vem desfilando pelo Santos há 3 anos. Nesse tempo, Neymar só tripudiou mesmo (aquelas de acabar com o jogo) sobre times pequenos e médios e contra o São Paulo, e majoritariamente na Vila. A campanha da Libertadores 2011 não contou com enfrentamentos com brasileiros ou argentinos. Nos clássicos contra Palmeiras e Corinthians, os números são divididos. Mesmo na final do Paulista 11, foi longe de ser um baile contra um Corinthians desacreditado e em remontagem - e ainda contou com a ajuda do Horácio. Nos 2 brasileiros o time "enrolou" (embora justificado pelos títulos do primeiro semestre). Neymar joga muito, mas não tem um histórico de acabar com o jogo em grandes enfrentamentos (ressalve-se, novamente, os passeios contra a versão paulista do Botafogo que o São Paulo se tornou nos últimos 3 anos...)
 
Agora a tática. Os times que pararam Neymar usaram de um expediente bem simples: povoaram o lado direito da defesa. Ontem na Vila, um campo pequeno, era bem visível: havia momentos onde o Velez colocava cinco jogadores entre a linha da área e um passo além da intermediária. Neymar não vai brigar no corpo com dois ou três zagueiros por uma bola enfiada. Ele vai naturalmente buscar a bola mais atrás, e será inevitavalmente parado pela cobertura e por faltas. Aí ele vai se deslocar pro meio, onde não funciona tão bem - principalmente contra um time, por ex, com um meio-campo pegador como o do Corinthians. Vi isso acontecer pelo menos em 4 jogos diferentes. O próprio Muricy falou no programa do Neto sobre isso - perguntado sobre o que o Neymar tem de melhorar, ele citou que tenta treinar esses posicionamentos diferentes para quando o lado esquerdo do ataque está muito ocupado.
 
Embora ache que a escalação ideal do Corinthians não envolva o Jorge Henrique, num jogo contra o Santos fora de casa eu o escalaria para compor por ali; Alessandro quase não apóia, e treinaria o fechamento do meio com Paulinho e Alex. Ficaria um losango com o Chicão na cobertura da cobertura. Deixaria o Emerson centralizado para sair na corrida buscando bolas lançadas pelo Alex nos contrataques. E acho que o Tite deveria treinar exaustivamente nesse tempo a bola parada, onde a zaga do Santos é notadamente falha. Inclusive eu treinaria para ver se é possível, no jogo em casa, entrar com o Elton. Bem treinado, uma bola aérea ofensiva com Elton, Danilo, Paulinho e Castan contra Dracena, Durval e Rafael pode ser o caminho. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Na semi de novo


E estamos novamente numa semi. Se o objetivo é disputar “que uma hora ganha”, até aqui o trabalho foi bem-feito. Mas com muito sofrimento..

A escalação já antecipava as dificuldades, que se confirmaram por 2 motivos. O primeiro é que esse esquema de 460 é torto; acabou funcionando 1 vez, contra o próprio Vasco no BR11 no RJ, e um pouco por falta de opção. Mas também só deu certo porque o jogo era fora de casa. E aí temos o segundo motivo: jogar sem alguém no meio da área batendo com os 2 zagueiros é o caminho mais fácil para você não conseguir exercer pressão sobre o seu adversário. Com um centroavante isolando os zagueiros, você abre espaços para tabelas pelas laterais. Sem eles os zagueiros ficam livres para compor no meio ou fazer cobertura nas laterais. O Vasco tinha uma vantagem – o empate com gols – e o Corinthians outra – jogar em casa. Tite praticamente abriu mão da sua vantagem ao mandar para campo um esquema tático que não permitia pressionar o Vasco. De fato, o que se viu em campo foi uma cautela sem sentido. O time precisava ganhar o jogo, ponto. A preocupação com não tomar gols devia ser a mesma de qualquer time que joga em casa porque não tinha o milagre da multiplicação dos gols: se tomasse um, precisaria fazer 2 (como sempre); ganhando o jogo de 1x0 ou 5x4 seria a mesma coisa, só precisava ganhar o jogo. O jogo “acautelado” favoreceu o Vasco, porque igualava as forças, como se o jogo fosse em campo neutro.
Num primeiro tempo de muita marcação, muitos do time estavam claramente nervosos. Nas faltas ou laterais no meio-campo, ninguém aparecia para receber a bola, por ex. Jorge Henrique fez 3 faltas desnecessárias na defesa e arrumou uma confusão que só ajudava o Vasco. A melhor chance veio duma bola cruzada, e a impressão geral era que só conseguiríamos ganhar em um lance isolado mesmo. Outro ponto é o quanto esse time é dependente ofensivamente do Sheik. Ele não jogou necessariamente mal,mas parou na forte marcação vascaína, e errou os 3 ou 4 dribles que tentou no primeiro tempo. Quando ele não produz, o time pára na frente.
No segundo tempo, com as mesmas peças, o time mudou um pouco a postura e começou a marcar a saída de bola (porque não fez antes?). O que acontecia era óbvio: os horrendos zagueiros do Vasco tinham que rifar a bola, e o Corinthians mantia a posse de bola no ataque. Apesar disso, pouca produção. Aí cag* do Alessandro, São Frankstein salvando, bola na trave aqui, bola na trave acolá, até o gol salvador de Paulinho – catarse, torcedor ao delírio, comemoração com a fiel. Mas também sofrimento desnecessário. Por outro lado, a sorte está do nosso lado, e isso é nítido.
- o nervosismo é claro. Dos jogadores, da torcida. Assim vai ficar muito difícil nas próximas fases. Tite não pode ser expulso por uma reclamação daquele tipo; se o técnico que é o técnico não mantém o controle...
- a questão do Cássio é o que muitos já falavam: um time com o estilo tático do Corinthians não pode se dar o luxo de ter um goleiro ruim. Se tomar um gol de vacilo, não vai reverter (vide Goiás, Santos, Ponte...). Cássio salvou o time no momento essencial do jogo. Se Diego Souza faz o gol ali, Alessandro entraria na mesma conta que entraram Roger e Betão.
- É difícil escolher Globo ou Fox. Na Globo o Casagrande, que teoricamente estava lá ‘do lado de São Paulo’, insiste em fazer uma avaliação contrária ao Corinthians em qualquer aspecto. Na Fox, depois do jogo, os comentaristas discutiam que sem dúvida os próximos jogos corinthianos seriam no Morumbi (oi?). Um deles lembrou que a final exige um estádio com 40 mil e o Pacaembu não comporta, a Comembol não aprovaria (Santos x Peñarol, oi?).

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Argentino x Brasileños

Flu x Boca – não vi o jogo. Falam que o juiz foi caseiro ao extremo. Era o mesmo juiz de Emelec x Corinthians. Naquela circunstância, as reclamações Corinthians foram consideradas “chororó”. Agora, com o Fluminense, é o absurdo da libertadores, onde os brasileiros jogam contra tudo e contra todos.
Acho que complicou bastante pro Flu. Enquanto o Boca é um time com tradição de não sentir o jogo fora de casa, esse time do Flu tem um poderio ofensivo duvidoso, além de uma torcida um tanto impaciente. Dá para virar, mas é bem complicado.

Vélez x Santos. É o terceiro jogo do Velez que vejo esse ano, e o melhor deles. Um time muito organizado taticamente, que marca muito bem, toca bem a bola no meio mas tem um poderio ofensivo limitado. Poderia ter ganho de mais pelo domínio que teve, mas na prática também não teve muitas chances. De certa forma se parece com o Corinthians: exceção feita ao Martinez, não tem nenhum jogador muito perigoso, mas um bom conjunto. Parece crítica quando se fala da neymardependência do Santos, mas não é – afinal ele é jogador do Santos, decide quase todo jogo e quase nunca fica fora. Mas o Vélez é o terceiro ou quarto time esse ano que encaixa uma boa marcação nele e, nesses casos, o Santos sofre muito. Muricy deve treinar essa semana algo diferente, porque o Vélez montará o mesmo esquema de prender defensores pelo lado direito, parar com falta e forçar o Neymar cair pelo meio, onde ele se perde um pouco. No mais, as deficiências que aparecem nos jogos importantes: saída de bola com pouca qualidade, Ganso sumido, marcação longe da perfeição.
Chances: acho que o Santos tem mais chances do que o Flu, pois seu poderio de furar retrancas é maior. Mas o poder de marcação do Vélez é muito bom, de forma que não será tarefa fácil não. Uma série de fatores decidirá: se Neymar estará muito inspirado, se o juiz será do estilo do Amarilla etc. Um amigo lembrou bem que jogar na Vila é um erro: um campo menor, onde o Vélez se fechará com mais facilidade e a distância até o gol santista no contrataque é menor.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Foi bom para você?

O critério do gol fora de casa (do qual, aliás, não gosto) traz uma certa discussão a respeito do que são bons resultados em um jogo em casa ou fora. Quando não tinha esse critério, era fácil: empatar fora de casa era um bom resultado, as vezes até perder de 1 x 0 não seria considerado muito ruim. Hoje, alguns alegam que empatar em casa, em 0 x 0 é positivo, pois não se tomou gol em casa; perder fora de casa por 1 x 0 é catastrófico. Mas será que apenas pelo critério de gols fora empatar em casa pode ser considerado um bom resultado?

Nessas horas, a matemática ajuda. E tudo depende de qual é o desempenho costumeiro do time em casa. Explico: imagine que num confronto equilibrado, antes dos 2 jogos, as chances de cada um passar são 50 x 50. Se depois do resultado do primeiro jogo, as chances de um time são maiores do que 50%, então o resultado do primeiro jogo foi positivo para esse time. Se um time joga melhor fora de casa do que em casa, então um empate em zero a zero fora é ruim, pois o time desperdiçou a sua chance onde ele costuma fazer diferença. Se um time sofre muito fora de casa e costuma fazer valer o fator casa no seu campo, então trazer um pequeno prejuízo para reverter pode ser bom negócio.

No exemplo: primeiro jogo 0 x 0. Aí vem o segundo jogo na casa do time para o qual estamos fazendo a análise (Corinthians). Existem 3 classes de resultados e suas respectivas probabilidades: vitória Corinthians, empate e vitória Vasco. Qualquer vitória de cada lado classifica o vencedor, mas no empate é necessária uma outra consideração: 0 x 0 dá penalties, enquanto qualquer empate com gols dá Vasco.

Agora que vem a subjetividade: qual a chance de vitória de cada time ou empate? E mais: se der empate, qual a probabilidade desse empate ter gols?

O Corinthians é um time que claramente joga melhor em casa. Aliás, uma das coisas que irrita no time de Tite é o quanto abdica de jogar bola e atacar nos jogos fora de casa. Já em casa, costuma impor seu ritmo e tem um ótimo aproveitamento. No BR-11, ganhou os jogos em casa contra quase todos os postulantes ao título: Flamengo, Vasco, Fluminense, São Paulo, Inter. Perdeu do Santos no que é, ademais, um clássico local. Já fora de casa perdeu do Flu e comemorou empates suados contra Fla, Vasco, São Paulo e Inter. A diferença de desempenho é gritante. Na libertadores, ganhou os 4 jogos que fez em casa, enquanto empatou 3 dos 5 que fez fora.

Sendo assim, se a premissa de 50 x 50 do começo é verdadeira, então dá para assumir que a % do Corinthians ganhar em casa do Vasco é de no mínimo uns 55% - até para compensar que a chance de ter ganhado lá no RJ fosse bem baixa. Em outras palavras: pela diferença do desempenho ser tão grande, só não dá para considerar que a chance do Corinthians ganhar em casa é alta assim se, de cara, achássemos que o Vasco era muito favorito, pois já poderíamos prever um desempenho corinthiano bem limitado fora de casa. A chance de empate é pelo menos 20% e, sendo a defesa do Corinthians o seu ponto forte, é razoável pensar que, dando empate, a chance dele ser sem gols não é pequena (o que daria penalties e 50 x 50 para cada um). A % consolidada de classificação do Corinthians seria, nesse cenário, acima de 60%  - bem acima dos 50% e, portanto, o resultado do primeiro jogo foi positivo.

Claro que esses %s atribuídos não tem nada de objetivo, é puro chute e análise de histórico. O Vasco tem toda a condição de chegar em São Paulo e ganhar, e além do que nem precisa disso: se fizer um gol já complica bastante a vida corinthiana. Mas ainda assim: para alguém afirmar que o resultado da ida foi ruim para o Corinthians, precisaria considerar que a chance do Corinthians passar tenha caído de 50% para 40%, por ex. E para isso a chance do Corinthians ganhar em casa teria de ser estimada de uns 33%, o que implica em que o fator casa não fizesse absolutamente nenhuma diferença. Faz sentido?

Delírios

Dos delírios frequentes dos antis, acho que dessa vez eles se superaram.

Sandro Meira Ricci – um baita árbitro, por sinal – fez uma excelente arbitragem. Era um jogo tenso, com todo mundo ávido por polêmicas, e ele não escorregou em nenhuma casca de banana. Aliás, o nome dele vem sempre rondado por suspeitas apenas pelo fatídico penalty – claríssimo – marcado contra o Cruzeiro em 2010. As falhas dele contra o Corinthians – como o penalty não marcado em Bruno César contra o próprio Cruzeiro, no primeiro turno desse mesmo campeonato – não importam. Em frente.

Teve o bendito do gol anulado. O tira-teima mostrou que estava impedido. A imagem, sozinha, não possibilita nenhuma conclusão possível – nem que foi legal nem que não. A câmera está em outro ângulo, o Sheik está longe, o lance é rápido. Ainda que o Alecsandro não estivesse impedido (o que estava), é o típico lance que, de nenhum jeito, daria para condenar o bandeira. Outro ponto importante é que Alecsandro estava voltando, então podemos imaginar que no campo de visão dele a imagem do Alecsandro parecesse até mais impedido do que realmente estava. Bom, não importa, a tecnologia tirou a dúvida.

E não é que a gritaria continua? Se fosse só na internet, no twitter, vá lá. Mas parte da imprensa (os de sempre) se prestam ao ridículo de levantar duas teses:

- a FIFA orienta que “em dúvida, pró-ataque”. Então o bandeira deveria ter deixado seguir. O ponto é: dúvida de quem, cara-pálida? Quem falou que pro bandeira, na linha do lance, não foi um lance claro? Quem viu o jogo reparou a quantidade de impedimentos ridículos que os atacantes do Vasco se deixavam ficar. Agora o trio de arbitragem é culpado até quando acerta. Em tempo: o São Paulo foi campeão do mundo com 3 gols anulados do Liverpool em impedimentos milimétricos. Será que a tese dos antis também vale nesse caso?

- o delírio chega ao ponto de sugerir que a Globo manipulou o tira-teima! Sim, o homem não chegou a lua, é tudo montagem. E Elvis ainda está vivo! A mesma Globo, onde Arnaldo e Caio não viram nada de mais na arbitragem do primeiro jogo contra o Emelec. O Arnaldo, que quando o Fuccili quase quebrou a perna do Jorge Henrique, lamentou que os brasileiros não tivessem a garra dos Uruguaios. A mesma Globo, do Thiago Leifert que “adora” o Corinthians e está sempre fazendo comentários respeitosos. A Globo, de Galvão Bueno, Renato Maurício Prado. A mesma Globo, super paulista, que não tem nenhuma identificação com o RJ e que não puxa nada a sardinha para os clubes de lá, fez isso para ajudar o Corinthians É esse o nível de alguns jornalistas esportivos..